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Universidade Federal de Alagoas - UFAL
 

30/11/2010
Religião
UM CHAMADO DIVINO

Jovens deixam família e amigos em nome de um ideal maior: viver o amor de Deus em sua plenitude, quaisquer que sejam as circunstâncias da vida

Por Ana Cecília

No mundo atual, onde o materialismo e racionalismo são tão valorizados em detrimento da espiritualidade, não parece muito comum um jovem deixar tudo o que conquistou para trás e viver uma vida religiosa, fazendo votos de pobreza, obediência e castidade.

Será que ainda há espaço para a vida religiosa? Mesmo em número cada vez mais reduzido, há. É o que mostram os depoimentos de dois jovens religiosos, que contam as principais motivações e dificuldades que enfrentaram quando decidiram seguir sua vocação.

Irmã Jamille Freitas, 25 anos, da congregação das irmãs dos pobres de Santa Catarina de Sena, localizada no Colégio de São José, Centro de Maceió, disse que se decidiu pela vida religiosa ao sentir que as coisas do mundo não a completavam. Os valores que o mundo pregava não eram seus valores e só na vida religiosa é que conseguiu encontrar a real felicidade.

“Para seguir a vida religiosa é preciso antes de tudo um bom relacionamento com Deus e amor incondicional por Ele e pelo próximo”, afirma irmã Jamille.

As dificuldades que os religiosos enfrentam são inúmeras, mas de forma geral se resumem a preconceitos da sociedade, incompreensão e desconfiança dos amigos e resistência por parte da família que no início custa um pouco a acreditar que um jovem com um grande “futuro” pela frente irá largar todas as garantias que possui em nome de algo que ele não vê e mesmo assim ter a segurança de dizer sim a esse mistério, que só pode ser compreendido à luz da fé e enfrentado com o tempo e a maturidade.

A castidade para a religiosa constitui um ponto positivo, ela não se sente menos mulher por isso. Muito pelo contrário, segundo ela, só vivendo a castidade é que ela pode servir ao próximo de maneira integral, em uma abertura de amor mais ampla, vivendo uma completa renúncia em nome de Deus. O padre Francisco Teixeira, 32 anos, da paróquia Nosso Senhor dos Martírios, Centro de Maceió, complementa esse pensamento da irmã e acredita que a vida religiosa é uma doação total, inclusive da dimensão sexual.

Assim como nas demais instâncias da vida, quem se decide por esse caminho também passa por crises vocacionais. Muitos deles encaram isso de forma positiva, uma oportunidade para amadurecer e se auto-avaliar, já que ao final de uma crise alguma lição surge e serve para fortalecer os sentimentos e propósitos. “Sem crises, ninguém passaria por um processo de amadurecimento”, afirma irmã Jamille. Nesse ponto, o sacerdote Francisco Teixeira diz que as crises só podem ser enfrentadas com seriedade, fé e paciência, fazendo o possível para que através da confiança que possui em Deus.

Para o sacerdote Francisco, toda vocação é um mistério e ao mesmo tempo algo simples de entender, consiste na necessidade do próprio Deus, de vivê-lo de forma mais completa, como um projeto de vida.

Como se sabe, na igreja católica, as mulheres não desempenham muitas funções que só são destinadas aos homens. Não consagram, não celebram missa, não ouvem confissão, não ministram sacramentos. Padre Francisco explica que isso se deve a princípios e razões bíblicas, onde o sacerdócio é destinado necessariamente aos homens. E afirma que isso não deve ser visto como discriminação. É, antes de tudo, tradição.

“A presença da mulher na igreja é fundamental, com seus detalhes, sua perspicácia e sua disponibilidade tornam muitas coisas possíveis. Tal ponto não deve ser visto com uma visão feminista ou machista, é preciso entender que é uma tradição bíblica”, afirma padre Francisco Teixeira.

O sacerdote ressalta que em situações de urgência e perigo de morte, qualquer um pode ministrar o sacramento do batismo, inclusive as mulheres. Porém, só em situações de extrema urgência. Esclarece que na Igreja Anglicana a mulher é aceita como sacerdote, mas isso está causando muitos problemas para o Anglicanismo e outras religiões do segmento protestante, já que tal concessão não possui fundamentação religiosa e bíblica.

Mesmo com todas as dificuldades, os religiosos se mostram confiantes e seguros em sua vocação. Colocando suas vidas a serviço de uma felicidade e uma entrega total a um mistério que só entende quem sente esse chamado divino.

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